Texto adaptado do capítulo “Fundação da Loja de Perfeição”, da obra Quatro Décadas na Ordem, de autoria do Ir.·. Ariberto Diegues
Augusta Loja de Perfeição Guatimozim
Precisamente em 16 de junho de 1966, dezesseis Irmãos Capitulares da A.·.R.·.L.·.S.·. Dom Pedro I, reuniram-se no Templo da A.·.R.·.L.·.S.·. Estrela de Santos, na Rua Almeida de Moraes, 13, onde funcionava a Loja Capitular Dom Pedro I, com a finalidade de fundar uma Loja de Perfeição.
Estavam ali reunidos os Irmãos Ângelo Amado, Grimoaldo de Almeida, Oscar de Souza, Florentino Diegues Gonçalves, Francisco Batista, Domingos da Silveira, Luiz Moreira Cesar, Ventura Félix de Oliveira, Rubem Affonseca, Alfredo de Oliveira, Antonio Pinheiro, Carlos da Silva Pereira, Alberto Luiz Mendes, Felipe da Costa, Próspero Barletta e Manoel Ribeiro.
Foram convidados a fazer parte da 1ª administração os Irmãos Manoel Ribeiro, José Dias e Carlos Franco e foram também considerados fundadores os Irmãos Eraldo Aurélio Francese, Francisco Solano Jr., João Pestana Filho, Laurindo Chaves, Miguel Elias Hidd e Ricardo Bartollo.
A sessão foi dirigida pelo Ir.·. Rubem Affonseca que, em breves palavras explicou as mudanças na legislação regente dos Graus Escoceses. A seguir foi escolhido como primeiro presidente o Ir.·. Ângelo Amado e, por sugestão deste, o nome “Guatimozim” foi aprovado por unanimidade para a nova Loja de Perfeição, em virtude de ter sido o nome adotado por Dom Pedro I quando de sua Iniciação.
A Loja encaminhou o pedido de regularização de seus trabalhos ao Supremo Conselho dos Graus Escoceses 4 a 33 para o Brasil em 27 de julho de 1979, tendo sido expedida sua Carta Constitutiva em 23 de novembro de 1983 e em 25 de novembro de 1983, através do ato Nº 1408, deu-se sua regularização.
Finalmente, em 19 de maio de 1984, foi instalada a Aug.·. Loja de Perf.·. Guatimozim, à Reg.·. de Santos, em Sessão Magna presidida pelo Del.·. Lit.·. no estado de São Paulo, Ir.·. Sylvio Rubini.
Desde então, a Loja de Perf.·. Guatimozim vem formando IIr.·. nos primeiros graus filosóficos do R.·.E.·.A.·.A.·., primando pelo rigoroso cumprimento da ritualística, pela qualidade das instruções e orientando Irmaõs na busca pelo aperfeiçoamento pessoal.
Sublime Capítulo Rosa-Cruz Dom Pedro I
As Lojas Capitulares do R.E.A.A. foram criadas no primeiro quartel do século XIX, na França, por pressão do Grande Oriente da França sobre o Supremo Conselho do Rito (segundo do Mundo) naquele país.
No Brasil, o GOB, após a sua reinstalação em 1831, ao assinar tratado de intenções com o Grande Oriente da França, adotou este modelo capitular que ainda estava em franco desenvolvimento na Europa.
Em 1854 esta aproximação foi reforçada, com a gestão do GOB e do Supremo Conselho do REAA unidos no mesmo dirigente, com eleição única.
Desta forma, uma Loja Simbólica passou a gerir também os graus 4 a 18, em sessões específicas para este fim e foi assim que, em 1º de março de 1936, a Loja Maçônica Dom Pedro I fundou sua Loja Capitular, funcionando com o mesmo nome e no mesmo Templo da Loja Simbólica, sob a presidência do Ir.·. Elias Reis Ferreira, com o objetivo de facilitar a ascensão dos Irmãos de Santos e região aos Graus Filosóficos, sem ter que se dirigir a São Paulo.
No Brasil, as Lojas Capitulares durariam oficialmente até 1927, quando se deu a cisão no GOB e a consequente criação das Grandes Lojas Estaduais. O próprio Mário Behring, articulou a separação entre Graus Simbólicos e Filosóficos, após ter obtido reconhecimento para o Supremo Conselho do R.E.A.A. para a República Federativa do Brasil, que criara, com sede em Jacarepaguá.
Entretanto, este sistema misto, de simbolismo e altos graus juntos nas Lojas Capitulares ainda perduraria até 1951, quando seria então definitivamente separado o Supremo Conselho do R.E.A.A. do simbolismo, passando o GOB a gerir apenas os Graus Simbólicos, com tratado de amizade e aliança Maçônicas com o Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o R.E.A.A..
Nas atas da Loja Simbólica Dom Pedro I, vê-se ainda um relato, datado de 29 de novembro de 1951, de uma Elevação de sete Irmãos ao Grau 4, possivelmente a última Sessão Magna realizada na Loja Capitular, considerando que não se veem mais relatos após esta data.
A partir de então, as Lojas Capitulares, já extintas na França, eram também excluídas da Maçonaria Brasileira. Algumas Lojas Maçônicas pelo país ainda iriam persistir com este costume, contudo essa persistência logo iria desaparecer por completo.
Texto adaptado a partir de conteúdo do Blog do Ir.·. Pedro Juk e de relatos das atas da Loja Maçônica Dom Pedro I, contidos na obra Dom Pedro I – A Loja, de autoria dos IIr.·. Ariberto Diegues, José Luis da Silva Branco e José Carlos Fonseca
Texto adaptado de manuscrito redigido pelo Ir.·. Ariberto Diegues, com base nas atas da Loja Maçônica Dom Pedro I e do Conselho Filosófico de Kadosch Nº 42
Ilustre Conselho Filosófico de Kadosch Nº 42
Em fins de 1973 Irmãos das Lojas Capitulares D. Pedro I e Hiram Abif iniciaram as primeiras tratativas para a fundação de um Conselho de Kadosch na Baixada Santista, com o objetivo de evitar o deslocamento de Irmãos para São Paulo a fim de assistirem as sessões do Conselho de Kadosch Pitágoras e para serem elevados aos graus superiores.
Após obterem a aprovação da Delegacia Litúrgica do Estado de São Paulo, subordinada ao Supremo Conselho dos Graus Escoceses 4 ao 33 para o Brasil, estes Irmãos reuniram-se nas dependências da Loja D. Pedro I, onde, em assembleia geral, fundaram no dia 26/01/1974 o Ilustre Conselho Filosófico de Kadosch “Cidade de Santos”, prestando assim uma homenagem à cidade pelo dia de sua elevação à categoria de cidade.
Compareceram a esta assembleia 32 Irmãos pertencentes as lojas D. Pedro I, Hiram Abif e Fraternidade, os quais são considerados fundadores. Nesta mesma assembleia de fundação foi eleita e empossada a primeira administração sob a presidência do Ir.·. Próspero Barletta.
A primeira reunião aconteceu em 13/02/1974, no Templo da Loja D. Pedro I, de acordo com registros na ata da sessão, com a presença de 16 Irmãos. De acordo com a ordem do dia, o 1º item a ser discutido seria o dia das reuniões, o 2º item seria a deliberação sobre a contribuição mensal e o 3º, determinar o local em que deveria funcionar a Câmara de Kadosch.
O Ir.·. Manoel Neves dos Santos opinou que as reuniões deveriam ser na 2ª sexta-feira de cada mês, por que as 2ª sextas feiras dos meses estavam livres para sessões capitulares, pois as lojas básicas não se reuniam naqueles dias e o Ir.·. Grimoaldo Carraca de Almeida propôs que fossem realizadas às quartas-feiras. Colocadas as propostas em votação, a proposta do Ir.·. Manoel Neves dos Santos foi a vencedora, sendo , portanto, estabelecido que o Conselho de Kadosch se reuniria sempre na 2ª Sexta-feira de cada mês.
O Ir.·. Darlindo Fachada propôs a contribuição mensal de CR$10,00 de cada Ir.·. e após vários Irmãos usarem a palavra, a proposta do Ir.·. Darlindo Fachada foi aprovada. O Ir.·. Próspero Barletta comunicou que as taxas de iniciação e elevação seriam calculadas posteriormente.
Quanto ao 3º item, após inúmeras opiniões quanto ao local das reuniões, o Ir.. Próspero Barletta solicitou aos Irmãos que indicassem o local em votação aberta, como foi feito com os itens 1 e 2. Feita a contagem, verificou-se que o Templo da Loja Hiram Abif teve 8 (oito) votos e o Templo da Loja D. Pedro I teve também 8 (oito) votos. Em vista do empate, foi resolvido que o desempate seria feito através de esferas (branca e preta). A Loja D. Pedro I ficou com a esfera branca e a Loja Hiram Abif com a preta. Colocadas as duas esferas no saco de propostas, o Ir.·. Presidente pediu ao Ir.. José Gomes dos Santos Netto que efetuasse o sorteio. Isto feito, saiu a esfera preta, pertencente a Loja Hiram Abif, onde seriam, a partir de então, realizadas as reuniões do Ilustre Conselho Filosófico de Kadosch “Cidade de Santos”.
Mui Poderoso Consistório de Príncipes do Real Segredo Nº 42
A luta para criação do Consistório Nº 42 foi uma constante entre os Irmãos do Gr.·. 33 que pertenciam às Câmaras Capitulares Dom Pedro I e Andradas, as quais faziam parte de uma administração conjunta no Kadosch nº 42.
Na época, os Irmãos que cumpriam o interstício no Kadosch e se mostravam aptos ao Grau 31, tinham dificuldade para se fazer presentes nas reuniões dos Graus 31 e 32 no Consistório Nº 2, em São Paulo.
Devido a essas dificuldades, muitos Irmãos permaneciam por longo tempo no Grau 30, já que não existia na Baixada Santista uma Câmara de Graus superiores. Dessa forma, tornou-se um objetivo para os Irmãos que presidiam o Kadosch Nº 42, conquistar a fundação de uma Câmara superior na região.
Em vista da grande persistência daqueles Irmãos que conseguiram colar os Graus 31, 32 em São Paulo e 33 no Rio de Janeiro, na sede do Supremo Conselho, este cedeu às súplicas e iniciaram-se as tratativas para fundação de um Consistório na cidade de Santos, o que veio a ocorrer em 26 de janeiro de 1994.
As exigências para a criação deste Consistório foram as mais diversas, dentre elas, o pedido feito pelo Grão-Mestre do GOB, à época, de divisão do Kadosch Nº 42, cuja administração era compartilhada entre os Irmãos do Capítulo Dom Pedro I e do Capítulo Andradas, em plena harmonia, em duas Câmaras distintas para que se seguisse o que determina o Regulamento Geral para os Órgãos e Corpos Subordinados ao Supremo Conselho, o que não foi aceito pelos Irmãos de Santos.
Outra exigência foi a fundação de uma terceira Loja de Perfeição (além das Lojas de Perfeição Guatimozim e Andradas) e um terceiro Capítulo (além dos Capítulos Dom Pedro I e Andradas). Deu-se assim a criação da Loja de Perfeição Monte Serrat e do Capítulo Rosa-Cruz Brás Cubas e, em 26 de janeiro de 1994, em Assembleia Geral dos Grandes Inspetores Gerais das Lojas Maçônicas Dom Pedro I e Hiram Abiff foi fundado o Mui Poderoso Consistório de Príncipes do Real Segredo Nº 42, ao Acampamento de Santos, tendo presidido essa reunião, o Ir.·. Próspero Barletta.
Em 15 de junho de 1994, formalizada pelo Decreto Nº 407, assinado pelo então Soberano Grande Comendador do R.·.E.·.A.·.A.·., Moacir Arbex Dinamarco, foi entregue a Carta Constitutiva ao novo Consistório. Em seguida, de acordo com a Resolução 08/1994, emanada da Delegacia Litúrgica em São Paulo foi nomeada a Comissão Instaladora formada pelos Irmaõs Rubens Barbosa de Mattos, Cláudio Roque Buono Ferreira e Sylvio Rubini, acompanhados pelos Irmãos João Batista de Oliveira, como Orador, Savério Logulo, como Secretário e Humberto Junqueira, como Mestre de Cerimônias para a cerimônia programada para o dia 17 de setembro do mesmo ano.
Na mesma ocasião receberam também suas Cartas Constitutivas a Loja de Perfeição Monte Serrat e o Capítulo Rosa-Cruz Brás Cubas, sediados na Loja Maçônica Paulo Gasgon.
O Ir.·. Próspero Barletta dirigiu provisoriamente o Consistório 42 até 15 de outubro de 1994, quando passou o cargo ao Ir.·. Antonio Lechugo Gil, que conduziu a Câmara até o dia 21 de janeiro do ano seguinte, quando houve eleição.
A primeira administração foi constituída pelos Irmãos: Antonio Lechugo Gil, Comandante-em-Chefe; Hênio Cajazeira, 1º Ten.·.; José de Paula Bortoloni, 2º Ten.·. e pelos Irmãos Ariberto Diegues, como Orador; Antonio Ayres da Cunha Filho, como Secretário; José Carlos Fonseca, como Tesoureiro; Ricardo Beltracchini, como Chanceler; João de Andrade Joaquim, como Cobridor e José Moalli, como Mestre de Cerimônias.
A primeira sessão de Elevação ao Grau 31 ocorreu logo em abril de 1995 e a primeira sessão de Elevação ao Grau 32, em maio do mesmo ano, ambas sob a presidência do Ir.·. Antonio Lechugo Gil.
O Consistório 42 orgulha-se de ter conduzido ao Grau 33, seja na sede do Supremo Conselho, no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro ou em São Paulo, uma plêiade de valorosos Irmãos que contribuem sobremaneira em suas Lojas Simbólicas, servindo como exemplo de perseverança, tenacidade e disposição.
Texto adaptado do capítulo “Fundação do Consistório dos Príncipes do Real Segredo Nº 42”, da obra Quatro Décadas na Ordem, de autoria do Ir.·. Ariberto Diegues